1. O que você vai aprender
Escolher entre instruir diretamente e mostrar exemplos. Você aprenderá a começar simples, reconhecer quando exemplos ajudam e comparar as duas abordagens sem confundir tamanho com qualidade.
2. Conceito em 1 minuto
Zero-shot significa pedir a tarefa sem demonstrar exemplos de entrada e saída. Few-shot significa incluir algumas demonstrações. Um documento de contexto não vira um exemplo automaticamente: precisa mostrar como uma entrada deve ser transformada em saída.
Few-shot orienta o comportamento pelo contexto do pedido; não é o mesmo que ajustar os parâmetros do modelo por treinamento, chamado fine-tuning. [S01, S04]
3. Por que isso importa
Uma equipe comercial pode escrever “classifique a objeção” e receber rótulos diferentes. Exemplos ajudam a mostrar uma taxonomia: um conjunto de categorias: e o formato esperado. Já para reescrever um aviso simples, os exemplos podem ser desnecessários.
4. Quando usar
Use zero-shot como primeira versão para tarefas claras e conhecidas. Teste few-shot quando houver categorias próprias, estilo específico, casos limítrofes ou repetição de um erro de interpretação. A decisão deve considerar o teste na tarefa real.
5. Quando NÃO usar
Não acrescente exemplos só para parecer avançado. Evite few-shot quando os exemplos contêm dados privados, estão desatualizados ou entram em conflito com as regras. Não use o conjunto de teste final como demonstração dentro do prompt.
6. Estrutura da técnica
PEDIR → OBSERVAR → DEMONSTRAR → COMPARAR. Primeiro escreva uma instrução suficiente. Teste em entradas variadas. Acrescente exemplos apenas para a dificuldade observada. Compare a versão com e sem exemplos usando as mesmas novas entradas.
| Necessidade | Ponto de partida sugerido |
|---|---|
| Resumo com requisitos simples | Zero-shot |
| Classificação com categorias próprias | Zero-shot com regras; few-shot se necessário |
| Tom de voz difícil de descrever | Few-shot com exemplos aprovados |
| Extração determinística | Regras e validação; exemplos apenas se agregarem |
| Decisão com dados ausentes | Regra de lacuna, com ou sem exemplo |
7. Exemplo ruim
Classifique os leads do jeito certo. Use exemplos se precisar.
A própria regra de classificação está ausente. Nenhuma quantidade de exemplos compensa uma definição de negócio contraditória.
8. Exemplo melhorado
Zero-shot melhorado:
Classifique a objeção principal como PREÇO, PRAZO, CONFIANÇA
ou INDEFINIDA. Retorne apenas um rótulo.
Use INDEFINIDA quando não houver informação suficiente.
Mensagem: [DADOS]
Agora existe uma tarefa testável, embora casos mistos ainda precisem de regra.
9. Exemplo profissional
Cenário fictício de vendas. O objetivo é classificar a objeção principal. Quando duas objeções tiverem a mesma importância, use INDEFINIDA.
Versão A: use o zero-shot melhorado com essa regra adicional.
Versão B: mantenha A e acrescente:
Exemplo: “A mensalidade não cabe no orçamento.” → PREÇO
Exemplo: “Precisamos começar antes de sexta-feira.” → PRAZO
Exemplo: “Vocês têm uma referência verificável?” → CONFIANÇA
Exemplo: “Está caro e demorado; ambos são problemas iguais.” → INDEFINIDA
Teste novo: “O valor parece adequado, mas precisamos de uma indicação de cliente.” → CONFIANÇA. Observe que a palavra “valor” não deve levar automaticamente a PREÇO.
10. Template reutilizável
Tarefa: [OBJETIVO]
Contexto: [CONTEXTO]
Regras e restrições: [RESTRIÇÕES]
Qualidade esperada: [CRITÉRIOS]
Formato: [FORMATO_DE_SAÍDA]
Demonstrações opcionais, diferentes do teste final:
Entrada: [EXEMPLO_1] | Saída aprovada: [SAÍDA_1]
Entrada: [EXEMPLO_2] | Saída aprovada: [SAÍDA_2]
Agora processe somente esta nova entrada: [DADOS]
Para zero-shot, remova o bloco de demonstrações.
11. Exercício para o aluno
Crie uma versão zero-shot para classificar cinco mensagens como dúvida, reclamação ou elogio. Aceite: categorias definidas e uma regra para mensagem ambígua.
12. Exercício intermediário
Acrescente três demonstrações e teste em cinco mensagens diferentes. Entregável: tabela com entrada, esperado, A, B e correto/incorreto. Gabarito: não existe obrigação de B vencer; a conclusão correta acompanha os resultados.
13. Desafio profissional
Uma empresa padroniza resumos comerciais em “dor, impacto e próximo passo”. Compare zero-shot e few-shot em dez conversas autorizadas ou fictícias. Aceite: preservar fatos, não inventar valores e registrar o aumento de texto de entrada da versão few-shot.
14. Checklist
- As regras funcionam sem depender de adivinhação.
- Cada demonstração contém entrada e saída.
- Os exemplos correspondem à tarefa.
- O teste utiliza entradas diferentes dos exemplos.
- O formato das demonstrações é consistente.
- A escolha final considera resultado e esforço.
15. Erros comuns
Afirmar que few-shot sempre vence; inserir exemplos sem revisão; demonstrar somente uma categoria; repetir o teste dentro do prompt; comparar A em casos fáceis e B em casos difíceis; confundir demonstração com treinamento permanente.
16. Antes e depois
PROMPT INICIAL: “Use vários exemplos para acertar.”
→ PROMPT OTIMIZADO: “Compare as mesmas oito mensagens usando a instrução isolada e a instrução com três demonstrações aprovadas. Registre acertos, falhas e tamanho da entrada.”
→ MOTIVO DA MELHORIA: a técnica deixa de ser uma preferência e vira uma hipótese testável.
17. Resumo de bolso
Zero-shot explica. Few-shot demonstra. O teste escolhe.